Cristina Clara
Lua Adversa cover

Debut album · 2021

Lua Adversa

Recorded at Vale de Lobos, between fado, choro and poetry spoken aloud. Disco Antena 1, supported by the Fado Museum and distributed by Sony Music.

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Tracks and lyrics

01

Manjericos

Lyrics and music: Tatiana Cobbett
The sails of Mucuripe will set out to fish. I'll carry my sorrows to the deep waters of the sea, Tonight to make love, with no fear of longing And no desire to wed. Life, wind, sail — That star is hers. Life, wind, sail, take me away from here.Antônio Carlos Belchior

Lyrics

O aroma dos manjericos Espalhou-se p'la cidade No meu peito desarmado Ecoou velha saudade Foi na marcha de Alfama Que fizemos a vontade Do santo casamenteiro E fui tua de verdade Capelinha de melão É de cravo é de rosa Vou pedir a S. João Para te trazer de volta E na festa de Yemanjá Dia dois de Fevereiro Ver-te então abandonar A bordo de um saveiro.

Credits

Lyrics and music
Tatiana Cobbett
Arrangement
Bernardo Couto, João Filipe, Pedro Loch
Vocals
Cristina Clara
Portuguese Guitar
Bernardo Couto
Fado Guitar
João Filipe
Double Bass
Carlos Barreto
Spoken Word
Tatiana Cobbett
02

Flor Amorosa

Lyrics: Catullo da Paixão Cearence · Music: Joaquim Callado

Lyrics

Flor amorosa, compassiva, sensitiva vem, porque É uma rosa orgulhosa, presunçosa, tão vaidosa Pois olha a rosa tem prazer em ser beijada, é flor, é flor Oh, dei-te um beijo, mas perdoa, foi à toa, meu amor Em uma taça perfumada de coral, Um beijo dar, não vejo mal É um sinal de que por ti me apaixonei Talvez em sonhos foi que te beijei Se tu quiseres extirpar dos lábios meus, Um beijo teu, tira-o por Deus Vê se me arrancas esse odor de resedá Sangra-me a boca, é um favor, vem cá Não deves mais fazer questão Já pedi, queres mais, toma o coração Ah, tem dó dos meus ais, perdão Sim ou não, sim ou não Olha que eu estou ajoelhado A te beijar, a te oscular os pés Sob os teus, sob os teus olhos tão cruéis Se tu não me quiseres perdoar Beijo algum em mais ninguém eu hei de dar Se ontem beijavas um jasmim do teu jardim A mim, a mim, Oh, por que juras mil torturas Mil agruras, por que juras? Meu coração delito algum por te beijar não vê, não vê Por um beijo, um gracejo, tanto pejo Mas por quê?

Credits

Lyrics
Catullo da Paixão Cearence
Music
Joaquim Callado
Arrangement
Edu Miranda, Pedro Loch
Vocals
Cristina Clara
Mandolin
Edu Miranda
Cavaquinho
Edu Miranda
Classical Guitar
Pedro Loch
Electric Bass
Rafael Calegari
Flute
Barbara Piperno
03

O Pajem

Lyrics: Fernando Teles · Music: Alfredo Marceneiro

Lyrics

Todas as noites um pajem Com voz linda e maviosa Ía render homenagem À marquesinha formosa Mas numa noite de agoiro O marquês fero, brutal, Naquela garganta de oiro Mandou cravar um punhal E a marquesa delirante, De noite em seu varandim, Pobre louca alucinante, Chorando cantava assim: Ó minha paixão querida Meu amor, meu pajem belo Foge sempre minha vida, Foge sempre minha vida Desse maldito castelo!

Credits

Lyrics
Fernando Teles
Music
Alfredo Marceneiro
Arrangement
Edu Miranda, Pedro Loch
Vocals
Cristina Clara
Portuguese Guitar
Sandro Costa
Mandolin
Edu Miranda
Classical Guitar
Pedro Loch
Acoustic Bass
Francisco Gaspar
Flute
Barbara Piperno
04

Real e Abstrato

Lyrics and music: Tatiana Cobbett
My love is a sailor And lives on the high sea; His arms are like the wind — No one can tie them down.Manuel Alegre

Lyrics

Vou deixar no casco de um barco A marca do meu quadril Lancei pedrinhas no lago Do mundo sou aprendiz Medi, o metro é quadrado, Segura p'ra não cair! Não fazer o certo, está errado. Viver é real e abstrato. Eu vou deixar meu casco, Viver é real e abstrato E vou levando o barco... Viver é real e abstrato.

Credits

Lyrics and music
Tatiana Cobbett
Arrangement
Pedro Loch
Vocals
Cristina Clara
Portuguese Guitar
Sandro Costa
Cavaquinho
Edu Miranda
Classical Guitar
Pedro Loch
Electric Bass
Rafael Calegari
Flute
Barbara Piperno
Percussion
Sami Tarik
05

Um dia hei-de inventar

Lyrics: Cristina Clara · Music: Pedro Loch

Lyrics

Um dia hei-de inventar A canção mais bonita Onde caiba a saudade E a verdade infinita Que achei no teu olhar Que tem luz como estrelas E acendeu pl'a cidade O luar nas janelas E hei-de sempre cantar O momento e a lembrança Do dia em que apagaste No meu peito a esperança Que a cantar sei chorar Sem mágoa, sem violência E é mais livre a saudade Alheia à tua ausência.

Credits

Lyrics
Cristina Clara
Music
Pedro Loch
Arrangement
Pedro Loch, Bernardo Couto
Vocals
Cristina Clara
Portuguese Guitar
Bernardo Couto
Classical Guitar
Pedro Loch
Double Bass
Carlos Barreto
06

Lua

Lyrics: Cristina Clara · Music: Pedro Loch

Lyrics

Quis morar dentro da lua, Andar por ela escondida Brilhar sobre a tua rua… Era cheia a minha vida! Era nova a vida minha! Já nem pensava em ser tua Crescente por estar sozinha. Sou das estrelas que vêm Ensinar-me o calendário Do tal destino arbitrário Dos caprichos do seu uso Das marés que não se cansam Dos horários do seu fuso Marco encontro com ninguém Sentada na meia lua Tudo o que tinha de meu Era o sonho de ser tua E agora que se fez dia A lua desapareceu E agora que se fez dia O sonho desapareceu!...

Credits

Lyrics
Cristina Clara
Music
Pedro Loch
Arrangement
Pedro Loch
Vocals
Cristina Clara
Mandolin
Edu Miranda
Classical Guitar
Pedro Loch
Electric Bass
Rafael Calegari
Flute
Barbara Piperno
Piano
João Ventura
07

Sete Cantigas Para Voar

Lyrics and music: Vital Farias

Lyrics

Cantiga de campo De concentração A gente bem sente Com precisão Mas recordo a tua imagem Naquela viagem Que eu fiz pro sertão Eu que nasci na floresta Canto e faço festa No seu coração Voa, voa, azulão… Cantiga de roça De um cego apaixonado Cantiga de moça Lá do cercado Que canta a fauna e a flora E ninguém ignora Se ela quer brotar Bota uma flor no cabelo Com alegria e zelo Para não secar Voa, voa no ar… Cantiga de ninar A criança na rede Mentira de água É matar a sede: Diz pra mãe que eu fui para o açude Fui pescar um peixe Isso eu não fui não Tava era com um namorado Pra alegria e festa Do meu coração Voa, voa, azulão… Cantiga de índio Que perdeu sua taba No peito esse incêndio Céu não se apaga Deixe o índio no seu canto Que eu canto um acalanto Faço outra canção Deixe o peixe, deixe o rio Que o rio é um fio de inspiração Voa, voa, azulão...

Credits

Lyrics and music
Vital Farias
Arrangement
João Ventura
Vocals
Cristina Clara
Piano
João Ventura
Percussion
Sami Tarik
08

Saia Velhinha

Origin · Popular Minhoto

Lyrics

A minha saia velhinha Está toda rotinha De andar a bailar Agora tenho uma nova Feitinha da moda Para estrear A minha saia velhinha Que eu ainda trago vestida Mas não a dou a ninguém Nem por nada desta vida. A minha saia velhinha Está toda rotinha De andar a bailar Agora tenho uma nova Feitinha da moda Para estrear Minha mãe casai-me cedo Enquanto sou rapariga Que o milho ceifado tarde Não dá palha nem espiga. A minha saia velhinha Está toda rotinha De andar a bailar Agora tenho uma nova Feitinha da moda Para estrear

Credits

Origin
Popular Minhoto
Arrangement
Quiné Teles, Cristina Clara
Vocals
Cristina Clara, Margarida Andrade
Percussion
Quiné Teles
09

Vira do Mondego

Lyrics: Joaquim Frederico de Brito · Music: Augusto Pinho

Lyrics

Não trazes a tua capa Mas olha que a noite é fria E tudo o vento destapa Numa doida correria Só o Mondego dormente A bailar de contente É que nós desafia Tira o meu xaile e embrulha-te nele Porque o Mondego de noite arrefece E o amor frio bem cedo se esquece Não vás de guitarra ao peito Cantar uma serenata Dizer que dormes no leito Desse Mondego de prata E que já nada amor me inspira Isso não que é mentira Eu não sou tão ingrata Tira o meu xaile e embrulha-te nele Porque o Mondego de noite arrefece E o amor frio bem cedo se esquece Não vás saltar às fogueiras Bailar nas descamisadas Porque andam noites inteiras Muitas tricanas coitadas Bailando em desassossego E até no Mondego Andam almas penadas. Tira o meu xaile e embrulha-te nele Porque o Mondego de noite arrefece E o amor frio bem cedo se esquece

Credits

Lyrics
Joaquim Frederico de Brito
Music
Augusto Pinho
Arrangement
Pedro Loch
Vocals
Cristina Clara
Portuguese Guitar
Sandro Costa
Mandolin
Edu Miranda
Classical Guitar
Pedro Loch
Acoustic Bass
Francisco Gaspar
Flute
Barbara Piperno
Percussion
Quiné Teles
10

Tico Tico no Fubá

Lyrics: Aloysio de Oliveira · Music: Zequinha de Abreu

Lyrics

O tico-tico tá Tá outra vez aqui O tico-tico tá comendo o meu fubá Se o tico-tico tem, tem que se alimentar Que vá comer umas minhocas no pomar O tico-tico tá Tá outra vez aqui O tico-tico tá comendo o meu fubá O tico-tico tem, tem que se alimentar Que vá comer umas minhocas no pomar Ó por favor, tire esse bicho do celeiro Porque ele acaba comendo o fubá inteiro Tira esse tico de cá, de cima do meu fubá Tem tanta coisa que ele pode pinicar Eu já fiz tudo para ver se conseguia Botei alpiste para ver se ele comia Botei um gato, um espantalho e um alçapão Mas ele acha que fubá é que é boa alimentação.

Credits

Lyrics
Aloysio de Oliveira
Music
Zequinha de Abreu
Arrangement
Edu Miranda, Cristina Clara
Vocals
Cristina Clara
Mandolin
Edu Miranda
Percussion
Sami Tarik
11

Novo Fado da Melancia

Lyrics: Cristina Clara · Music: Raúl Ferrão

Lyrics

É tão fresca a melancia Como a boca da mulher E se o freguês desconfia Venha provar se quer ver Esta Lisboa à fatia Sorriso à mão de beber Desde o amanhecer Ao entardecer Provar é beber Da cidade a vida inteira Numa fatia de verão Até faz renascer O Parque Mayer No sonho de quem quer A rubra fruta ligeira Lisboa feita canção Se a freguesa é mais arisca E recusa com desdém Tão doce que nem arrisca Que é coisa que nem cai bem Quando a gente não petisca Mais há-de ficar p'ra alguém Desde o amanhecer Ao entardecer Provar é beber Da cidade a vida inteira Numa fatia de verão Até faz renascer O Parque Mayer No sonho de quem quer A rubra fruta ligeira Lisboa feita canção

Credits

Lyrics
Cristina Clara
Music
Raúl Ferrão
Arrangement
Pedro de Castro, João Filipe, Francisco Gaspar
Vocals
Cristina Clara
Portuguese Guitar
Pedro de Castro
Fado Guitar
João Filipe
Acoustic Bass
Francisco Gaspar
12

Viagem

Lyrics: Miguel Torga · Music: João David Almeida

Lyrics

Aparelhei o barco da ilusão E reforcei a fé de marinheiro Era longe o meu sonho, e traiçoeiro O mar… (Só nos é concedida Esta vida Que temos E é nela que é preciso Procurar O velho paraíso Que perdemos). Prestes, larguei a vela E disse adeus ao cais, à paz tolhida. Desmedida, A revolta imensidão Transforma dia a dia a embarcação Numa errante e alada sepultura… Mas corto as ondas sem desanimar, Em qualquer aventura, O que importa é partir, não é chegar.

Credits

Lyrics
Miguel Torga
Music
João David Almeida
Arrangement
Pedro Loch, João Ventura
Vocals
Cristina Clara
Piano
João Ventura

Videos

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Credits

Production
Cristina Clara, Pedro Loch, Edu Miranda
Recording
Nuno Simões - Estúdio Vale de Lobos
Mixing
André Tavares - Atlântico Blue Studios
Art Direction
Daniela Fraga, Margarida Andrade
Design and Photography
Daniela Fraga
Support
Antena 1, Museu do Fado

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