Cristina Clara
Capa de Entretela: Cristina Clara com um pote de barro e um vestido estampado com rochas

Novo álbum · 2026

Entretela

Cada canção traz o seu forro: uma crónica da Cristina, guardada no livreto ao lado da letra. Aqui lê-se uma e outra.

  • António Zambujo
  • Tito Paris
  • Sérgio Godinho
  • Rolando Semedo
  • Roda de Percussão Ibérica
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Letras e crónicas

01

Fado Rosa Maria

  • Letra: João Bastos
  • Música: António Melo
  • Origem: Canção incluída no filme «O Costa do Castelo»
  • Voz: Cristina Clara
  • Bandolim: Edu Miranda
  • Guitarra portuguesa: José Manuel Neto
  • Guitarra clássica: Pedro Loch
  • Baixo elétrico: Rolando Semedo
  • Bateria e percussão: Joel Silva
  • Excertos de voz: Hermínia Silva (Arquivo RTP)

Letra

Assim à primeira vista Que eu sou fadista logo dirão Aqui não há só garganta Também se canta do coração Não ouso carpir o fado Triste e pesado como um lamento Mas cantá-lo com voz calma Do fundo d’alma com sentimento E é por isso que eu insisto E não desisto e hei-de cantar Sem viola, sem guitarra, Como a cigarra até rebentar Com este aspeto franzino Foi o destino que me marcou Esta será cantadeira Queira ou não queira e eu cá estou E tal qual como a Severa Ai quem me dera ser um portento Mas não sou baixa nem alta E não me falta descaramento.

02

Bonança

feat. António Zambujo

  • Letra: Cristina Clara
  • Música: Armandinho (Fado Alexandrino Antigo)
  • Vozes: Cristina Clara e António Zambujo (convidado)
  • Bandolim e cavaquinho: Edu Miranda
  • Guitarra clássica: Pedro Loch
  • Baixo elétrico: Rolando Semedo
  • Bateria e percussão: Joel Silva

Letra

Amanhã quando acordar Não te encontrarei aqui Vou buscar e rebuscar Descrente do que não vi Vou espreitar atrás da porta E da cortina carmim Nas gavetas do que importa Nos banquinhos do jardim Constelações sentinelas Lá do Cruzeiro do Sul Acendam luzes e estrelas Acordem o céu de azul Vou então reverberar Avolumar o teu nome Vou soprá-lo até chegar Onde a saudade tem fome De tanto descer a rua E subir sem te encontrar Talvez o tempo dilua O que insisto em procurar Até que o peito desperto Pelo alvoroço da espera Solta a voz já sem aperto Já não mora cá quem era Da busca vã a alegria E da tormenta a esperança Do silêncio a poesia Da tempestade a bonança

Da tempestade a bonança

Em 2020 deixei a minha casa em Benfica e mudei-me para o Porto. Em parte porque a voz do outro lado do telefone me soou a casa, em parte porque Lisboa já não parecia sê-la. Esta parecia a saída limpa. Uma boa proposta de trabalho, horários menos tumultuosos e um Norte à minha espera. Cheguei ao Porto numa noite de chuva — a invicta tem a franqueza brutal dos seus nativos — e não quis iludir-me, ainda que fosse Agosto. Choveu muitas vezes. Com o passar dos dias as ruas esvaziadas pela distopia pandémica foram-se ensolarando. Descer pela 31 de Janeiro até à Ribeira passou a ser um ritual. Alguma vez viram a Ribeira deserta? Juro, é um poema. Dois anos passaram e conheci gente que entrou à vontade nos meus dias para nunca mais sair (tenho certeza), aprendi coisas extraordinárias como cozinhar em placa de indução, tocar tracanholas ou usar o Excel. Tinha tempo, tinha-me a mim e uma missão de resgate em curso. Choveu muito mas, quando ia à varanda do 3º andar do meu prédio onde fui única habitante durante 2 anos, olhava para a parede grafitada do antigo cinema erótico e lia: “depois da tempestade, vem a bonança”. Ei-la. A chuva no Porto chove miudamente Tem vogais abertas sobre a calçada Molha os parapeitos das janelas e as almas passantes. A chuva no Porto não espera pelo Inverno; Trepa ansiosamente, calendário acima, de saia na mão… E afoita vai cair, pequenina, miudinha, Mesmo dentro dos meus olhos.

Cristina Clara

03

Novo Credo

  • Letra: Edu Mundo
  • Música: Edu Mundo e Daniel Pereira Cristo
  • Voz: Cristina Clara
  • Cavaquinho e guitarra portuguesa: Edu Miranda
  • Guitarra clássica: Pedro Loch
  • Baixo elétrico: Rolando Semedo
  • Bateria e percussão: Joel Silva

Letra

Você não vê que os bombos que há agora, Os que na moda, são de nova geração? Esses são grandes e pesados, muito embora, Há que contar: não tem eletrificação! Repare que este pequenito aparelho Com este fio que se liga a combinar Explode bombas pelas ruas do concelho E essas bombas nem precisam de lá estar! E esse cheiro que lhe fica a meter medo? E se eu pudesse poupar-lhe o exercício? É que a medida do nosso novo credo Já nem enreda as mãos no sacrifício Poupe o esforço e o sangue ao tocador De acartar pneu até à igreja mãe Poupe o vinho e água pé ao morador Poupe a criança de querer tocar também Passando ao ponto fundamental da palestra Não há mais forma de evitar a evolução: Lá na cidade já ninguém pensa em orquestra Quanto mais bombos a revoltar-nos o chão! Reflita bem, que eu cá passo pra semana Antes que chuva nos encontre aqui aos tombos Que neste assunto só você é que se engana Na teimosia de tocar os velhos bombos!

Dia de Procissão

Acredito que o olfato é o veículo mais veloz para regressar a lugares de mim cuja existência julgava extinta. Nesse dia voltei a casa de outra forma. Procurei na memória o cheiro do giz e das sebentas, dos tapetes de flores e dos tambores em dia de procissão. Ficava na primeira linha da multidão, a milímetros dos bombos, com os olhos a brilhar. Era o meu voto de fé em dia de procissão… uma espécie de novo credo que se acrescentava: a crença de que, ficando bem perto da pele dos tambores a vibrar, também em mim se acordava uma vida a mais.

Cristina Clara

04

Águas Santas

  • Letra e música: Amélia Muge
  • Voz: Cristina Clara
  • Material documental: Excertos da «Grande Reportagem Pesca», gentilmente cedidos por Nha Terra Nha Cretcheu / RTP África

Letra

Águas Santas Quase prece Escorrendo sol adentro Onde o amor permanece Sol de um desejo de terra Que em onda se contém Que em solidez se consome Uma entrega sem ter nome Que é riqueza iluminando O outro lado da fome O outro lado da fome

05

Bus Odjus

feat. Tito Paris

  • Letra e música: Rolando Semedo
  • Vozes: Cristina Clara e Tito Paris (convidado)
  • Bandolim: Edu Miranda
  • Cavaquinho: Dany Fonseca
  • Guitarra portuguesa: José Manuel Neto
  • Guitarra clássica: Pedro Loch
  • Baixo elétrico: Rolando Semedo
  • Percussão: Joel Silva

Letra

Bus odjus ki sta spian ku txeu dimora N’ka sabi si é amor ou vaidade Fazem pensa na sorti i na sodadi Kuzé ki n’ta xinti se bu ka spian S’nha korpu ta fika xei di tremura Na toki di bu mô, di ternura Ta fazem xinti, um mar di imuson Nha kurason sen riason prendi lison, d’olhar d’amor Ó ki bu ta bai Favor leban ku bô Na retina bus odjus Na camara d’bu kurason Kurason chei d’razon Ó ki bu ta bai Favor leban ku bô Mi n’kre bai mora na Bu kurason, mi ku nha violon Bus odjus ki sta spian ku txeu dimora…

06

Cravos de Papel

  • Letra: António de Sousa
  • Música: Alain Oulman
  • Voz: Cristina Clara
  • Bandolim: Edu Miranda
  • Guitarra clássica e elétrica: Pedro Loch
  • Baixo elétrico: Rolando Semedo
  • Bateria e percussão: Joel Silva

Letra

Tenho sete namorados Na rua do lá vem um Sete facas apontadas Ao coração em jejum Meu compadre S. João Das fogueiras, das cantigas, Ficarei par ou par não Com as outras raparigas Nao julgue lá que me enjeita Assim com duas razões O meu demónio aproveita As melhores ocasiões O meu demónio aproveita As melhores ocasiões Meninas vossos amores São como a água corrente Na margem prados e flores Ao meio afoga-se a gente Amorzinho lua nova Rica fruta do pomar Quem será que tira a prova Do vinho do teu lagar Tenho sete namorados Na rua do lá vem um Sete facas apontadas Ao coração em jejum Tenho sete namorados Na rua do lá vem um Tenho sete namorados Na rua do lá vem um Sete facas apontadas Ao coração em jejum Sete e sete são quatorze Com mais sete vinte e um Tenho sete namorados E não gosto de nenhum!

07

Entretela

  • Autoria do texto e voz: Cristina Clara

A última vez que a vi estava vestida cor de rosa chá. Não me lembro bem da cor do sofá mas lembro-me da textura aveludada. Divertia-me a passar-lhe a mão numa e noutra direção para ir mudando de cor. Foi ela que me deixou esta saia. Ela nunca usava calças. Dizia que as saias eram uma espécie de canivete suíço para as mulheres. Cobriam e descobriam com a mesma facilidade, enchiam os salões de nenúfares coloridos nos bailes e guardavam segredos de estado nos forros de entretela. — Esta saia é tua e será depois da mulher a quem contares a tua história. É uma espécie de amuleto que te deixo. Esta saia é uma oração.

Cristina Clara

08

A minha Saia

  • Letra: Ana Sofia Paiva
  • Música: Jaime Santos (Fado Sevilha)
  • Voz: Cristina Clara
  • Bandolim: Edu Miranda
  • Guitarra portuguesa: José Manuel Neto
  • Viola de fado: João Filipe
  • Contrabaixo: Carlos Menezes

Letra

A minha saia tem folhos É negra como a magia Não lhe deites muito os olhos Não é alecrim aos molhos São pecados de alquimia A minha saia tem manha É uma raposa escarlate Tem cuidado que ela estranha Se desconfiar arranha Pode até ser que te mate A minha saia é sublime Bordei-a eu a meu gosto E se vesti-la for crime Meu corpo não se redime Só pra te dar o desgosto Vou sair com a minha saia Que ninguém me faça frente Seja de chita ou cambraia Não tenho medo que caia Na boca de toda a gente Vou sair sem fé em nada Não tenho religião Comprida curta ou rodada Esta saia é uma espada Esta saia é uma oração.

09

A História do nosso Amor

  • Letra: Cristina Clara
  • Música: Carlos da Maia (Fado Perseguição)
  • Voz: Cristina Clara
  • Bandolim: Edu Miranda
  • Guitarra portuguesa: José Manuel Neto
  • Viola de fado: João Filipe
  • Contrabaixo: Francisco Brito

Letra

Eu quis um dia contar Eu quis outrora cantar A história do nosso amor Busquei álbuns de memórias Mas foram buscas inglórias Não encontrei nem vapor Nem poeira dos abraços Nem pegadas dos teus passos Ou brilho dos olhos teus Só o retrato do tempo O eco agudo do vento Numa gaveta de adeus Quis chorar, não consegui Quis sair mas insisti Quis inventar um sinal Desse espanto que eu vivi Desse amor que persegui E se esfumava afinal Nem poeira dos abraços Nem pegadas dos teus passos Ou brilho dos olhos teus Mas a voz que conta a história Há-de acender outras glórias E há-de cantar este adeus

Uma história de acabar

Estive ali no dia de Natal. Ia jurar que ainda me cheirava ao almoço acabado de fazer. Queria aproveitar a tua longa ausência para te deixar um bilhete. Levantei os olhos para a bancada da cozinha e logo depois para a enorme janela com vista para os aviões: rasgavam o céu laranja, quase em rota de colisão com os telhados da mesma cor. Um A330! Abri a primeira gaveta para procurar uma caneta e um pedaço de papel. Estava vazia. Um A380!! Este nunca tinha visto…

Cristina Clara

10

Primeru Bes

feat. Rolando Semedo

  • Letra e música: Rolando Semedo
  • Vozes: Cristina Clara e Rolando Semedo (convidado)
  • Bandolim e cavaquinho: Edu Miranda
  • Guitarras: Pedro Loch e Rolando Semedo
  • Baixo elétrico: Rolando Semedo
  • Bateria e percussão: Ndu Carlos e Joel Silva
  • Tracanholas: Cristina Clara

Letra

Primeru bês, ki nôs odju kontra N’bira geladu, paradu, trankadu Ku lingua pisadu, só ku gana flau Korpu rapian, dan gana papia Má dan kudadu, n’fika kaladu Pamodi gô dja txiga hora Di ábri nha konbersu ku bô Pan flabu ma mi n’krebu txeu Txeu sima petu xeia xeila lua Djan krebu txeu, sen midida Ku tudu força di kretcheu Sugundu bês, foi la n’igreja Ki n’proveta, paz di cristo Pan xinti bu mô Bu n’fanhin rostu, bu tra nha mô Bu tra nha riba di bô N’kre purguntau Undi ki bu staba Ki nunka n’odjau Modi ki bu txoma Undi é bu morada É la ki n’kre sta

Com que mares me coso?

Pode a voz ter fronteiras?

Cristina Clara

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Intermitentemente

feat. Sérgio Godinho

  • Letra e música: Sérgio Godinho
  • Vozes: Cristina Clara e Sérgio Godinho (convidado)
  • Bandolim: Edu Miranda
  • Flauta: Barbara Piperno
  • Guitarra clássica: Pedro Loch
  • Baixo elétrico: Rolando Semedo
  • Bateria e percussão: Joel Silva

Letra

Comigo podes Ser tu mesma e na mesma Ser diferente em mim de tudo Ou, ou nada quase Contigo dá-se uma coisa muito simples Que é da simples liberdade Que é, é tudo quase Já nem falando do amor à primeira vista Vista entre portas tão pesadas Intermitentemente ter-te em mim Intermitentemente ter-te Abrir as salas que não tinha Nem tu tinhas por fechadas Foste ao armário dos projetos Escolher entre fogos e artifícios O que dura quase Deste faísca à trovoada Por silêncio, por chuvinha entrecortada Tão distante quase Já nem falando do amor à primeira vista Vista entre portas e vidraças Intermitentemente ter-te em mim Intermitentemente ter-me Deixar-me aqui donde tu largas E me entregas e me abraças Abandonado à minha sorte Sorte minha fui ter à tua casa Que é morada quase Aproximou-se o firmamento E geocêntricos olhamos para o sol De frente, um instante quase Já nem falando do amor à primeira vista Visto através dos compromissos Intermitentemente ver-me em ti Intermitentemente ver-me Todo o passado em dois espelhos Que de mágoas são omissos Vieste ao resto do meu sono Entregar a consciência a um moribundo Que é já nada quase Sinais da vida recupero Em tocando o movimento dos teus lábios Que é dormente quase Já nem falando do amor à primeira vista Visto do vão da escadaria Intermitentemente ter-te em mim Intermitentemente ter-te No patamar da luz quebrada Que nos serve de vigia

Intimidades

Lá em casa comíamos sempre a horas diferentes. Era demasiado confortável para a intimidade partilhar o espaço, o horário e a ementa. Tínhamos medo que ela criasse raízes e dali nunca mais partisse. E depois, que faríamos com ela?

Cristina Clara

12

Ter o Tejo por rival

  • Letra: Maria do Rosário Pedreira
  • Música: Cristina Clara e Pedro Loch
  • Voz: Cristina Clara
  • Bandolim: Edu Miranda
  • Guitarra portuguesa: José Manuel Neto
  • Guitarra clássica: Pedro Loch
  • Baixo elétrico: Rolando Semedo
  • Bateria e percussão: Joel Silva

Letra

Quando o sol acorda Alfama E o tempo está de feição, Meu amor foge da cama Levando a cana na mão. Se o Tejo for seu amigo, Vai ser boa a pescaria. E eu fico aqui de castigo, Amuada todo o dia. Ter o Tejo por rival Não é normal Nem numa canção. Ter o Tejo por vizinho Vai deixar sozinho O meu coração. Pode haver quem se acostume, Mas eu, ao ciúme, Não o sei matar. Alfama, diz lá ao meu amor Que pense melhor Antes de ir pescar. Quando em Alfama anoitece, Sonhando ser perdoado, Meu amor reaparece Com o balde bem carregado. Mas eu cá não mordo o isco, Ele vai ter de aprender: Se vinha só pelo petisco, Que pescasse outra mulher. Ter o Tejo por rival Não é normal Nem numa canção. Ter o Tejo por vizinho Vai deixar sozinho O meu coração. Pode haver quem se acostume, Mas eu, ao ciúme, Não o sei matar. Alfama, diz lá ao meu amor Que pense melhor Antes de ir pescar. E manda o Tejo prá cama, Que saia de Alfama E se atire ao mar.

13

Lilaré dos 5 Sentidos

feat. Roda de Percussão Ibérica

  • Origem: Cancioneiro popular português — Moimenta, Vinhais
  • Vozes: Cristina Clara e Roda de Percussão Ibérica
  • Participação especial: Roda de Percussão Ibérica
  • Arranjo: Roda de Percussão Ibérica
  • Direção musical do arranjo: Rui Aires

Letra

O primeiro que é ver A coisa que eu mais desejo Quando passo pela rua Sempre julgo que te vejo Lilaré, Lilaré, Lilaré, Lilaró O segundo que é ouvir Eu de si não ouço nada Quando ouço mal de si Fica-me a cor demudada Lilaré, Lilaré, Lilaré, Lilaró O terceiro que é cheirar Um raminho d'alecrim Peço-te amor da minh’alma Que não te esqueças de mim Lilaré, Lilaré, Lilaré, Lilaró O quarto que é gostar, Eu de ti sempre gostei Desde que nasci até agora Sempre por ti aguardei Lilaré, Lilaré, Lilaré, Lilaró O quinto que é apalpar Menina os seus anseios Desejava de saber Porque são tais arreceios Lilaré, Lilaré, Lilaré, Lilaró

14

Aponta se Puderes

  • Autoria do texto e voz: Cristina Clara

Se um dia não puder pedir-te Como hoje te pedia, Se me falhar a voz, ou o tino, ou a vontade, Se o meu corpo não souber Dar pistas do desejo… Não te esqueças nunca Aponta, se puderes Mesmo que eu me ausente, Mesmo que os meus olhos se esvaziem, Que eu não pareça sequer viver, Não te esqueças Aponta, se puderes Toca-me, penteia-me com os dedos os cabelos, Desenha as minhas pálpebras com o teu indicador... Ou deixa pousada a tua mão Onde eu a possa sentir. E se não te lembrares do roteiro: Fica apenas. Não te esqueças, não? Aponta, se puderes

Cristina Clara

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Farol de Montedor

  • Origem: Cancioneiro popular português — Viana do Castelo
  • Voz: Cristina Clara
  • Guitarra clássica: Pedro Loch
  • Sonoplastia: Joel Silva
  • Obrigada Mariana Correia e Rui Aires pela janela que abriram para este tema.

Letra

Oh farol de Montedor, ó ai ó ai Oh farol de Montedor Alumia cá p’ra baixo, ó ai ó ai Alumia cá p’ra baixo, ó ai ó ai Qu’eu perdi o meu Amor, ó ai ó ai Qu’eu perdi o meu Amor E às escuras não o acho, ó ai ó ai E às escuras não o acho, ó ai ó ai É noite e o sol já está posto, ó ai ó ai É noite e o sol já está posto E o meu Amor que não vem, ó ai ó ai E o meu Amor que não vem, ó ai ó ai Ou o mataram a ele, ó ai ó ai Ou o mataram a ele Ou ele matou alguém, ó ai ó ai Ou ele matou alguém, ó ai ó ai Oh farol de Montedor, ó ai ó ai Oh farol de Montedor Iça a bandeira de luz, ó ai ó ai Iça a bandeira de luz, ó ai ó ai Foi-se embora o meu amor, ó ai ó ai Foi-se embora o meu amor Tenho penas choro muito, ó ai ó ai Tenho penas choro muito, ó ai ó ai

Vídeos do disco

2026

2026

Folhear o livreto

Design de Martina Hotzel, fotografia de Ana Viotti.

Páginas 3-4
Páginas 5-6
Páginas 7-8
Páginas 9-10
Páginas 11-12
Páginas 13-14
Páginas 15-16
Páginas 17-18
Páginas 19-20
Páginas 21-22
Páginas 23-24

Ficha técnica

Direção artística
Cristina Clara
Produção musical
Cristina Clara, Edu Miranda, Joel Silva
Produção executiva
Espelho de Cultura
Gravação
João Pedreira, Nelson Carvalho, Nuno Simões
Mistura e masterização
Fernando Nunes
Distribuição digital
Galileo Music
Fotografia
Ana Viotti
Caracterização
Francisca Bairros
Figurino
Lidija Kolovrat
Design
Martina Hotzel

Músicos

Flauta
Barbara Piperno
Contrabaixo
Carlos Menezes, Francisco Brito
Cavaquinho
Dany Fonseca
Bandolim, cavaquinho e guitarra portuguesa
Edu Miranda
Viola de fado
João Filipe
Bateria e percussão
Joel Silva, Ndu Carlos
Guitarra portuguesa
José Manuel Neto
Guitarra clássica e elétrica
Pedro Loch
Baixo elétrico
Rolando Semedo

Agradecimentos

Afonso Pinto, Alba Ruiz, Ana Margarida Andrade, Companhia das Soluções, Diana Henriques, Diana Martinez, Diana Valente Perfeito, Égide Artes, Enrico Casetta, Graça Rodrigues, Joana Garcia, João André, Jordi Torrents, Lidija Kolovrat, Lost In India, Madalena Raimundo, Margarida Soares, Margaux Belanger, Mariana Camacho, Mariana Correia, Miguel Quitério, Pedro Loch, Rui Aires, Uma Volta em Lisboa, Vivaplant.

Disco físico

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