Cristina Clara é cantora e autora portuguesa, natural do Minho, no norte de Portugal, e vive em Lisboa desde 2005. O seu trabalho parte do fado e da tradição oral e põe a música portuguesa em diálogo com os ritmos, as histórias e os repertórios do Brasil e de Cabo Verde.
Depois de estudar Enfermagem no Porto, mudou-se para Lisboa, onde fez formação em voz e teatro. Um convite do fadista Marco Rodrigues para cantar no histórico Café Luso marcou o início da sua carreira profissional como cantora. Os encontros que se seguiram alargaram a sua linguagem musical, mantendo a palavra e a arte de contar histórias no centro do seu trabalho.
O disco de estreia, Lua Adversa (2021), explorou as afinidades entre o fado português e o choro brasileiro, juntando escrita original e repertório tradicional. Coproduzido com Pedro Loch e Edu Miranda, contou com o apoio da Antena 1 e do Museu do Fado e teve distribuição da Sony Music.
Em 2024, a RTP convidou Cristina a participar como autora no Festival da Canção. Interpretou também a sua canção, “Primavera”, que chegou à final, com letra de Cristina e música do compositor cabo-verdiano Jon Luz. No mesmo ano, foi selecionada para um showcase oficial na WOMEX, em Manchester. Foi depois nomeada para o UPBEAT Best New Talent Award 2025.
Em Portugal, Cristina atuou no NOS Alive, no Festival MED, no Santa Casa Alfama, nos Jardins do Marquês e no Festival Internacional dos Açores, e em salas como o Teatro da Trindade e o Centro Cultural de Belém, no âmbito do programa “Há Fado no Cais”.
No estrangeiro, atuou também no Glatt & Verkehrt, na Áustria, na Atlantic Music Expo, em Cabo Verde, no Antwerp Spring Festival, na Bélgica, no CAPE (Centre des Arts Pluriels Ettelbruck), no Luxemburgo, na Casa de Francisca, em São Paulo, no Brasil, e na Universidade de Georgetown, em Washington, D.C., nos Estados Unidos.
Paralelamente à carreira a solo, Cristina dinamiza a prática musical coletiva com a Roda de Percussão Ibérica e com oficinas dedicadas ao canto tradicional e à percussão de mão.
O segundo disco, Entretela, lançado a 23 de outubro de 2026, reúne quinze faixas moldadas pelo fado, pelos ritmos tradicionais portugueses e pela morna e o batuku cabo-verdianos. O papel das mulheres na transmissão e na renovação da memória cultural atravessa tanto o repertório como o seu imaginário de tecidos, objetos herdados e vida quotidiana.
Os convidados António Zambujo, Sérgio Godinho, Tito Paris, Rolando Semedo e a Roda de Percussão Ibérica partilham com ela a vontade de ligar, pela música, as geografias de língua portuguesa. Obras de Amélia Muge, Maria do Rosário Pedreira e Ana Sofia Paiva juntam-se à sua própria escrita. Com direção artística de Cristina e coprodução com Edu Miranda e Joel Silva, Entretela prolonga o diálogo que mantém entre as tradições herdadas e a criação contemporânea.